"O segredo da saúde,mental e corporal,está em não se lamentar pelo passado,não se preocupar com o futuro,nem se adiantar aos problemas,mas,viver sabia e seriamente o presente."
Buda
"Em geral, nove décimos da nossa felicidade baseiam-se exclusivamente na saúde. Com ela, tudo se transforma em fonte de prazer."
Arthur Schopenhauer
"O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem."
Arthur Schopenhauer

Anamnese




A anamnese é uma das partes mais importante (senão a mais importante) de uma avaliação fisioterápica. Ela vem depois da identificação do paciente e antes do exame físico. A anamnese é composta por: Queixa Principal (QP), História da Doença Atual (HDA), Antecedentes Patológicos (AP), Antecedentes Familiares (AF) e Hábitos de Vida (HV). É aqui que vamos iniciar nossa investigação, buscando a causa da queixa e o diagnóstico cinético funcional, para assim, iniciarmos o nosso tratamento.

A queixa principal é o motivo que levou o paciente a te procurar. Ela deve ser posta, de forma sucinta e se possível, com as palavras do paciente.

Ex.: “Dor no ombro”; “Não consigo andar direito”; “Não levanto meu braço”.

*Obs.: Sabemos que nosso paciente é na maioria das vezes leigo quanto aos termos médicos. É bem raro que ele diga “Estou com dor na escápula”.  Se ele disser “dor na omoplata” ainda vai, agora se for “dor na pá” você pode corrigir, isto é, não precisa transcrever dessa forma, afinal nem todos sabem interpretar certos termos.

Na HDA, como o próprio nome já diz, você vai contar uma história. Por isso mesmo precisa ter princípio, meio e fim. Tem que ser bem escrita e ter sequencia lógica, devendo responder a estas perguntinhas: Onde, quando e como começou? (correlacionar com o local lesionado, pedindo pro paciente apontar onde é), o que fez? O que faz que melhora? O que faz que piora? Como está atualmente?

Exemplo:

Paciente V.S.D., 32 anos

Q.P.: Dor no tornozelo
HDA: Paciente relata que em 28 de janeiro de 2014 sofreu uma queda ao descer de uma escada, na qual torceu seu tornozelo direito (realizou uma inversão). No momento sentiu muita dor e não conseguia realizar descarga de peso no pé direito. Imediatamente colocou gelo sobre o local dolorido (região externa, abaixo do maléolo lateral) e permaneceu em repouso com o tornozelo elevado. Atualmente ainda sente dores, que piora ao realizar tentar apoiar o pé no chão e melhora com o repouso.

Os Antecedentes Patológicos referem-se a(s) doença(s) pregressa(s) que o paciente teve e que pode(m) estar relacionada(s) ao quadro atual. Lembre-se: deve está ligada a doença. Por exemplo, se o paciente teve catapora, nada tem a ver com o tornozelo torcido dele... Fiquem atentos! Ah, pode ainda ser uma patologia que possa influenciar no seu tratamento. Ex.: Pacientes com hipertensão sugerem maior atenção em atividades intensas.

Antecedentes Familiares: Aqui nós associamos alguma patologia que haja na família do nosso paciente com a patologia que ele apresenta.


Hábitos de Vida: Aqui investigamos se o nosso paciente é tabagista, etilista, sedentário, atletas, se faz uso de medicamentos (se sim, quais).




A anamnese deve ser bem conduzida e elabora pois ela nos guiará no exame físico, no diagnóstico e no plano de tratamento do nosso paciente. Ela é responsável por 85% dos diagnósticos, portanto, fiquem espertos!

Fisio e a Doença de Alzheimer


Sabia que nós fisios temos um importante papel no tratamento de pessoas com a Doença de Alzheimer? Mas antes, vamos saber um pouquinho sobre essa doença.

Alzheimer é um dos tipos mais comuns de demência, na qual ocorre a atrofia do córtex cerebral de forma progressiva, lenta (relativo) e difusa. Leva ao comprometimento negativo da função cognitiva do portador. 
Resumindo: é uma doença que afeta o cérebro. Ela leva a degeneração dos neurônios (que posteriormente morrem). Ah, o quadro piora com a exposição do paciente á pequenos estresses.

O Alzheimer afeta principalmente a galera da melhor idade (a partir dos 65 anos), sendo as mulheres mais acometidas (sempre nós u.u) e a expectativa de vida é de 5 a 10 anos. A causa continua desconhecida, mas há forte relação com a base genética, Traumatismo Crânio Encefálico (TCE) e Síndrome de Down.

A doença possui 4 fases (fase inicial, fase intermediária, fase final e fase terminal). Essas fases são uma importante forma de classificar a evolução da doença Os sinais e sintomas variam de acordo com o a fase  em que a doença se encontra, vejamos alguns deles:
Na Fase Inicial: Perda de memória, confusão e desorientação; ansiedade, agitação, ilusão, desconfiança;  dificuldades com as atividades da vida diária como alimentar-se e banhar-se;   alguma dificuldade com ações mais complexas como cozinhar, fazer compras, dirigir, telefonar. 
Na Fase Intermediária os sintomas da fase inicial se agravam e também pode ocorrer  dificuldade em reconhecer familiares e amigo; perder-se em ambientes conhecidos; alucinações, inapetência, perda de peso, incontinência urinária;   movimentos e fala repetitiva; dependência progressiva e início de dificuldades motoras.

Na Fase Final:  dependência total; imobilidade crescente; incontinência urinária e fecal;  tendência em assumir a posição fetal; mutismo; restrito a poltrona ou ao leito; infecções urinárias e respiratórias freqüentes; término da comunicação. 
Na Fase Terminal: agravamento dos sintomas da fase final; restrito ao leito; posição fetal; disfagia com a necessidade de alimentação enteral; infecções de repetição.
Já deu pra sentir que tem muito trabalho p'rá gente né?! Aliás não só para nós, mas também para médicos, psicólogos*, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais*... Ou seja, é um tratamento multidisciplinar!

*atenção especial para as famílias e cuidadores pois não é fácil lidar com os lapsos de memória e mudanças de humor, por exemplo. É preciso ter muuuuuita paciência e uma série de cuidados).
O diagnóstico é feito a partir do exame clínico ("A clínica é soberana"), exame do estado mental, início entre 40 e 90 anos de idade, histórico familiar, Tomografia Cerebral com atrofia cerebral, testes neuropsicológicos, além é claro da presença de piora progressiva da memória e outras funções cognitivas.

O prognóstico para pessoas com a doença de Alzheimer é pregressivo e reservado. Ainda não existe cura.

Sim, e cadê a fisio?



O tratamento fisioterapêutico da doença de Alzheimer deverá enfatizar a prevenção de contraturas utilizando-se técnicas de alongamento, já quer as alterações motoras como alterações no tônus muscular e tendência a desenvolvimento de rigidez articular.
 Exercícios de fortalecimento, coordenação motora e equilíbrio também devem ser incluídos no programa de tratamento do paciente com Alzheimer, estes exercícios podem ser executados tanto em solo quanto em piscina. Outra técnica bastante bem vinda no tratamento é a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) com uso de iniciação rítmica e padrões bilaterais de movimento que ajuda na melhora da coordenação e do ritmo dos movimentos.


Vamos prevenir?
A prevenção é simples: mudança nos hábitos de vida. Exercícios físicos, alimentação e exercícios mentais são ótimos. Nos exercícios físicos vale dança, natação, caminhada... Já para exercitar a mente pode ser jogos de memória, caça-palavras, ler (livros, revistas, jornais, gibis... o importante é ler), fazer caminhos diferentes, aprender coisas novas. Isso tudo ajuda a manter a memória e o cérebro ativos.
Alimentos ricos em ácidos graxos tipo ômega 3 (presente nos peixes), além de evitar comidas gordurosas que levam ao aumento do colesterol e redução do HDL





     




Referências:
O'SULLIVAN, Susan B.; SCHIMITZ, Thomas J..Fisioterapia: Avaliação e Tratamento. 5.ed. Barueri: Manole, 2010.
Sociedade Brasileira de Neurociência: http://www.sbneurociencia.com.br/diegocastro/artigo1.htm
Doença de Alzheimer: http://www.doencadealzheimer.com.br/
Doutor Cérebro: http://www.doutorcerebro.com.br/portal/o-cerebro/11-alzheimer/32-preveniralzheimer

Primeiro Atendimento

Não faz muito tempo, foi no semestre passado, mas foi um passo tão importante que me recuso a esquecer. Ainda assim, percebo que alguns detalhes começam a fugir da memória por isso quero escrever aqui o que me lembro do meu primeiro atendimento.
Era o final de algum mês, setembro ou outubro não tenho certeza. Nas últimas semanas eu não pensava em outra coisa que não fossem os atendimentos. Morria de nervosismo só em pensar como eu seria na frente de um paciente real, com uma disfunção real a ser tratada. Não seria mais só o paciente "S.D.J, 30 anos" seria uma pessoa física, ali na minha frente, esperando algo de mim. 
Enfim chegou o dia, seria o dia mais tenso da semana: antes do atendimento teria uma prova (que foi muito confusa por sinal). Depois da prova eu me tremia toda rsrs. Cada um dos meus colegas demonstrava uma forma de nervosismo: uns agitados, outros falantes, outros com problemas intestinais... valia tudo! kkkkkkkk
E lá estávamos na clínica, devidamente vestidos com nossas melhores roupas brancas e jalecos. Não demorou e as fichas com os nomes dos pacientes começaram a chegar e a professora ia chamando nossos nomes aleatoriamente para receber nosso pacientes. Fui uma das últimas, não sabia o que me esperava. Era uma senhora que havia sofrido um AVE. Ali, diante daquela mulher, sorri e esqueci o nervosismo. Tentei torná-lá, em minha mente, uma parente e fazer por ela o mesmo que eu faria se fosse minha mãe ou minha avó: daria o melhor de mim. Eu havia esperado aquelo momento desde que escolhi cursar fisioterapia. Tudo fez sentido. Eu senti que estava onde devia estar, nada poderia ser melhor do que melhorar a vida de alguém com tudo aquilo que apendi. Após o atendimento eu estava sorrindo com a certeza que era isso mesmo que eu queria para minha vida, que não havia porque ter receio do meu atendimento. E no fim do período senti orgulho de mim e de minha dupla. Nossa paciente chegou de cadeira de rodas no primeiro dia e saiu andando com um pouco de ajuda de sua filha (que posteriormente foi substituída por uma bengala) no último atendimento. Fizemos um bom trabalho, melhoramos a vida de várias pessoas e isso realmente nos deu uma alegria sem preço! *-*

Sabendo ouvir, tendo atenção ao paciente, explicando claramente a patologia, o que leva a ela, o que você quer fazer e a importância disso para o tratamento, não tem como dá errado. E se você fizer essas coisas, será um bom fisioterapeuta, pode apostar!
Não esqueçam: vocês esperam pelo primeiro atendimento desde que entraram no curso. Estudem, se esforcem. Lembrem-se que lá na frente vocês estarão com um paciente real contando com você.

Alguém mais quer dividir seu primeiro atendimento? :)


Ceratocone

Ceratocone é uma doença ocular não inflamatória que afeta o formato e a espessura da córnea, provocando a percepção de imagens distorcidas. A evolução do ceratocone é quase sempre progressiva com o aumento do astigmatismo, mas pode estacionar em determinados casos. Na sua fase inicial, o ceratocone apresenta-se como um astigmatismo irregular, levando o paciente a trocar o grau do astigmatismo com frequência. O diagnóstico definitivo desta patologia é feito com base nas características clínicas e com exames objetivos como a topográfica corneana e a paquimetria ultrassônica.

Sintomas de Ceratocone: O principal sintoma é a visão borrada e distorcida tanto para longe quanto para perto. Alguns podem relatar diplopia (visão dupla) ou poliopia (percepção de várias imagens de um mesmo objeto), halos em torno das luzes, fotofobia (sensibilidade excessiva à luz) e coceira.

Tratamento de Ceratocone: tratamento do ceratocone visa sempre proporcionar uma boa visão ao paciente, bem como garantir seu conforto na utilização dos recursos que serão empregados e principalmente preservar a saúde da córnea. As alternativas de tratamento sempre são avaliadas nesta ordem: óculos, lentes de contato e cirurgias.

• Óculos: A primeira opção que o paciente recebe é a prescrição de óculos, na maior parte das vezes em casos iniciais da doença, quando o astigmatismo irregular ainda é baixo e é possível obter uma acuidade visual aceitável.

• Lentes de Contato: A partir do momento em que os óculos não conseguem fornecer uma acuidade visual satisfatória, a lente de contato é a próxima alternativa, geralmente é utilizada a lente rígida gás permeável que procura proporcionar a melhor acuidade visual, principalmente assegurar a saúde fisiológica da córnea.

• Crosslinking: Consiste na ligação de colágeno de córnea com a riboflavina. É feita a remoção do epitélio (camada mais externa do tecido corneano) da região central da córnea, de forma a expor a superfície para aplicação de uma solução de riboflavina, que nada mais é que a vitamina B2. O resultado deste processo é a criação de mais ligações covalentes no estroma o que aumenta a resistência mecânica da córnea. Com isso, há menor chance de progressão do ceratocone.

• Transplante de Córnea: Nos casos de ceratocone que progredirem ao ponto onde a correção visual não pode ser mais atingida com óculos e lentes de contato, o afinamento da córnea se torna excessivo, ou cicatrizes corneanas resultantes do uso de lentes de contato tornam-se um problema frequente ou exista a presença de leucoma (opacificação corneana) importante, o transplante de córnea se torna necessário.

• Implante de Anel Corneano: Uma alternativa cirúrgica para o transplante de córnea é o implante de segmentos de anel corneano (anel intra-estromal). Uma pequena incisão é feita na periferia da córnea e dois arcos de polimetil metacrilato são introduzidos deslizando os segmentos entre as camadas do estroma em cada lado da pupila antes que a incisão seja fechada. Os segmentos empurram a curvatura da córnea para fora, aplanando o ápice do ceratocone e retornando-o a um formato mais natural. O procedimento, realizado em uma base ambulatorial com anestesia local, oferece o benefício de ser reversível e potencialmente substituível, uma vez que não envolve a remoção de tecido ocular.

Fonte: Lotten Eyes

Cicatrizes


Toda cirurgia ou incisão na pele resulta em uma cicatriz. A cicatriz pode evoluir para uma cicatriz imperceptível, ficar aparente e até ficar hipertrófica ou queloidiana. Apesar da utilização de técnicas de cirurgia plástica para se obter uma boa cicatriz, existem outros fatores que podem influenciar na cicatrização do indivíduo, como por exemplo, os cuidados pós cirúrgicos e a tendência individual de desenvolver quelóide. 


A cicatriz pode ficar inestética com alterações como: 



- Alteraçao da cor – pode ficar mais esbranquiçada (hipocrômica) ou mais escura (hipercrômica);
- Alteraçao da forma – pode ficar mais deprimida ou mais elevada (cicatriz hipertrófica e queloide);
- pode ter contratura cicatricial, como por exemplo, em queimaduras.



A cicatriz hipertrófica caracteriza-se por ser mais grossa que a cicatriz original, enquanto que o quelóide é um tipo de cicatriz que ocorre formação de tecido exuberante, que ultrapassa os limites da cicatriz. Geralmente, o queloide aparece nos primeiros meses após a cirurgia e pode apresentar sintomas de coceira, dor e vermelhidão. Negros e orientais têm maior tendência a desenvolver o queloide. 


O tratamento do queloide geralmente é difícil. Alguns métodos podem ser utilizados para evitar o quelóide após a cirurgia como: pomadas, placas de silicone, massagem local e laser. Após a instalação do quelóide, alguns métodos podem ser utilizados para o seu tratamento como: infiltração na cicatriz de substâncias como o corticoide e 5-fluorouracil; cirurgia, betaterapia, criocirurgia, laser, terapia com interferon, imiquimode. Alguns estudos mostram a utilização de outros métodos como: bleomicina, tacrolimus, methotrexate, pentoxifilina e colchicina.

Fonte: Eliza Minami

Cicatrização

A cor da cicatriz. O ideal é que ela seja isocrômica. Todavia existem três tipos: 1- isocrômica ou normocrômica, que correspondem àquelas que tem a sua tonalidade igual à cor da pele vizinha. - 2 - hipocrômicas que são aquelas que não pigmentam o suficiente e permanecem descoradas numa tonalidade esbranquiçada ( clara em relação à pele vizinha) ou branca ou marmorada. 3 - hipercrômicas que são aquelas que apresentam aumento de pigmentação castanha que podem ate atingir intensa cor castanha até próximo ao preto. Estas variações ocorrem pela conjugação de vários fatores como genética, localização anatômica, causa da cicatriz, agentes químicos sensibilizantes, em geral pela exposição à luz solar ou máquina de bronzear. Existem outras como as que ocorrem nas pernas em pessoas com problema de varizes e ulceração frequente onde há micro hemorragia intradérmica,que da digestão da hemoglobina por estimulação da luz, isola a hemossiderina que por sua vez evolui para hemocromatina que é o pigmento final de cor castanho escuro que é fixado pelas células gigantes fixas da região.É um processo lento porém muito resistente à tratamentos clínicos.
Os filtros solares podem auxiliar na prevenção destes efeitos maléficos da luz, principalmente a solar que no verão são mais intensas.